Cidade de Alcântara – Maranhão – Artigo 301 do irmão Barbosa Nunes 1


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Em missão maçônica, estive na cidade de São Luis do Maranhão, nos dias 14, 15 e 16 de outubro. Fui recebido no Aeroporto Marechal Hugo da Cunha Machado, pela fraternal acolhida do Grão-Mestre Estadual, João Soares e sua equipe de trabalho constituída por Maurício Alves, João Farah, José Raimundo, Fernando César, Pedro Jorge, Weverson Scarpini e Márcio Aurélio. Proferi palestras na Loja “Beckman”, quando foi promovido de grau o irmão  Márcio Aurélio e na Loja “Renascença Maranhense”, esta última, em comemoração ao Dia dos Professores. Lojas Maçônicas que tem como Veneráveis Mestres os irmãos Raimundo Antonio Fernandes Ribeiro e  Antonio Euzébio  Costa Rodrigues   Filho. O evento comemorativo ao dia dos professores, com diversas homenagens, foi organizado pela secretaria de educação e cultura do GOB-MA,  através do seu titular titular Fernando Cesar dos Santos e adjunto Weverson Scarpini. A Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul  Estadual, teve participação destacada com o pronunciamento da presidente Márcia Soares Costa Gomes, representando as mulheres presentes Registro a presença do Comendador Lima Verde, portador da Comenda D. Pedro I e venerável mestre da Loja Universitária Renascença Maranhense.

Constou ainda da programação, um evento cultural em  Alcântara, fundada em 22 de dezembro de 1648. Cidade histórica com ar bucólico que pode ser visitada em um único dia, a partir de São Luis. O acesso mais rápido é pela Bahia de São Marcos, saindo do Caís da Praia Grande, no centro histórico. Está entre as mais antigas cidades maranhenses. É necessário pegar um catamarã, embarcação com dois cascos. Viagem em pleno mar, bastante intensa, em altos e baixos das fortes ondas. O catamarã já disponibiliza sacos plásticos para enjôos no trajeto, o que é muito comum entre os passageiros. O barco balança consideravelmente durante o percurso de longa uma hora. Para quem é mais suscetível a passar mal sugere-se tomar remédio anti-enjoo ou cheirar limão. O que não fiz na ida.

            Uma cidade repleta de ruínas e obras inacabadas. Muito impressionante. Surpresas em cada esquina. Caminhando por ladeiras de séculos passados. O lugar é puro mistério, com direito a lendas e histórias da época imperial. O principal ponto de acesso é pela íngreme Ladeira do Jacaré, calçada com pedras em forma de losangos, outros desenhos geométricos, lembrando símbolos maçônicos. Calmaria total. Cada ruína tem uma trama que a envolve. Cada uma delas um passado que a transforma em fato importante na história de Alcântara.

Pontos a serem vistos e meditados em ambiente que nos retorna há séculos atrás. Calçadas com pedras irregulares. Há taxis disponíveis a partir do pé da Ladeira do Jacaré, para se alcançar o ponto mais alto e histórico, centro da cidade. Seguindo-se então, a Capela de Nossa Senhora do Desterro, de frente para o mar. Tem dois sinos que é necessário bater, um de cada vez, concentrando-se nos desejos.

A Praça da Matriz abriga o Pelourinho, edificado em 1648, quando da elevação de Alcântara à categoria de Vila. Pelourinho é um símbolo dos grandes barões que exportavam e comercializavam escravos. Praça que abriga as ruínas da Igreja São Matias e rodeada de sobrados como a antiga Casa da Câmara e Cadeia, hoje Prefeitura Municipal, também o Museu Histórico.

 Museu Histórico que  reúne peças, equipamentos, armas, móveis e outros da prelazia e de particulares. Há ainda a Casa do Divino, Igreja e Convento de Nossa Senhora do Carmo, Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos e o Farol de São Sebastião.

A noticia que o Imperador Pedro II iria a Alcântara gerou rivalidade entre os barões de Mearin e Pindaré. A disputa era para ver quem construiria o mais belo palácio para hospedar Pedro II. Reza a lenda que a historia acabou em tragédia. Houve um assassinato de um dos barões. O Imperador não concretizou a visita, embora a construção tivesse sido iniciada. Hoje é  mostrada aos turistas como ruínas do palácio do imperador .

Muito comentada é a Rua da Amargura, onde residiam as mais ilustres famílias alcantarenses. Estende-se do Farol ao Forte de São Sebastião. Atualmente a Rua da Amargura abriga incontáveis ruínas. Não se aconselha circular por ela durante a noite. Os guias ilustram a descrição, informando que o nome foi dado pelo pranto das mães ao se despedirem dos filhos que saiam da vila para estudar em Coimbra, partindo para Portugal. Em navios deixavam  suas mães chorosas. Ao final desta rua, cuja vista é para o mar, as mães acenavam as mãos com adeus aos filhos. Pelos mesmos guias é informado que a denominação também refere se aos escravos que passavam por essa rua para serem castigados no pelourinho.

No início da década de 80, o município foi escolhido para sediar o Centro de Lançamento Aeroespacial, o que se deu em razão de sua privilegiada posição geográfica, próxima à linha do Equador. Não é aberto a visitações sem prévio agendamento, mas há em Alcântara, a casa de cultura aeroespacial.

Segunda base de lançamento de foguetes da Força Aérea Brasileira. Sedia os testes do Veículo Lançador de Satélites e destina-se, futuramente, a realizar missões de lançamento de satélites.  No dia 22 de agosto de 2003, o VLS-1 V03 (Veículo Lançador de Satélites) brasileiro explodiu na base de Alcântara, três dias antes do lançamento, matando 21 técnicos, engenheiros e cientistas.

Viajar no tempo é o sonho de todo turista. Talvez por isso, filmes com esta temática façam tanto sucesso como a trilogia “De volta para o futuro”. Alcântara, no Maranhão, proporciona esta exata sensação ao visitante. Por todo lado há ruínas de grandes obras inacabadas em contraste com o Museu Espacial Brasileiro e o Centro de Lançamento de Alcântara.

Concluo este artigo sobre o evento cultural do Grande Oriente do Brasil – Maranhão, em  visita à cidade de Alcântara, nome que tem origem árabe, significando “a ponte”. Município com aproximadamente 21 mil habitantes. Tem uma extensão territorial de 1400 quilômetros quadrados. A emocionante visita, ao balançar de fortes ondas nos 11 quilômetros que separam a ilha de São Luis a Alcântara, no continente, foi proporcionada pelo Grão-Mestre João Soares, seu progenitor “Joãozinho”, João José e Maurício Mendes. Transcrevo uma das estrofes do Hino de Alcântara, letra de Paulo de Oliveira e música de Luis de Sousa Pereira.

“És tu Alcântara cidade eterna, Maior relíquia do Maranhão, Um patrimônio de valor histórico, A refletir em toda a nação”.

Barbosa Nunes, advogado, ex-radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br

 


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