A majestade o sabiá – Pássaro que canta o amor e a primavera


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Artigo 314 do irmão Barbosa Nunes

 

A partir de 5 de outubro 1968, é comemorado no Brasil, o Dia da Ave. Data instituía pelo decreto 63.234, de 12 de setembro de 1968, assinado pelo então Presidente Artur da Costa e Silva. Em 2002, por decreto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o sabiá, se tornou símbolo da nação. Pequeno animal, de menos de 25 centímetros de tamanho, de vida longa, se comparada a outras aves. Pode durar entre 25 e 30 anos. No período de reprodução os sabiás procuram uma fêmea para fixarem suas moradas e prepararem seus ninhos, feitos basicamente de gravetos e folhas finas. Um casal tem média de dois filhotes por ninhada, chegando a ter 6 por ano.

Na natureza, pode ser encontrado em todo território brasileiro, em matas, parques e até quintais arborizados de grandes centros. É um pássaro fiel. Depois que encontra sua companheira, prefere abandonar o bando e viver em seu ninho com as crias e voar com a fêmea. Exerce popularidade na cultura e no folclore.

Dalgas Frisch diz que o sabiá representa bem as aves neste doce ensinar a nós, seres racionais, como melhor conservar e proteger o meio ambiente. São úteis no dia a dia, controlam pragas no campo, disseminam sementes e plantas, têm cantos fascinantes, embelezam a vida, verdadeiro companheiro.

Ainda explica que o sabiá tem qualidades ímpares. Não existem dois que cantem da mesma maneira. É o som mais audível ao ouvido humano. Na primavera é o primeiro canto que se ouve antes do clarear do dia. Os sons maravilhosos do sabiá desabrocham nos corações veios poéticos, tão puros e belos como a luz e as cores das flores na terra.

Na literatura, poemas, músicas, crônicas é citado como pássaro que canta o amor e a primavera, a terra natal, a infância, as coisas da vida. Foi imortalizado por Gonçalves Dias no seu célebre poema “Canção do Exílio”.

“Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem mais estrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em  cismar, sozinho, à noite, Mais prazer eu encontro lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,  que tais não encontro eu cá;  Em cismar sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;  Minha terra tem palmeiras,  Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá;  Sem que desfrute os primores, Que não encontro por cá; Sem que ainda aviste as palmeiras, onde canta o Sabiá”.

Autores famosos também deram ao sabiá-laranjeira, notoriedade artística, como Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, Luiz Gonzaga, Milton Nascimento, Patativa do Assaré e Chico Burque de Holanda, que escreveu em 1968, em conjunto com Tom Jobim, onde o sabiá também figura em destaque, embora apareça com o gênero feminino, que segundo o autor, deriva dos usos dos caçadores e na primeira estrofe:

“Vou voltar. Sei que ainda vou voltar para o meu lugar. Foi lá e é ainda lá, que eu hei de ouvir cantar uma sabiá. Cantar uma sabiá.”

Sabiá, uma das aves mais populares do Brasil, presença comum em seu folclore e mesmo na cultura erudita, ave familiar por grande parte da população. É a mais inspiradora dentre as aves, a mais aclamada e decantada pelo sentimento popular.

A bióloga Mônica Kosh afirma que “pela forte presença na literatura e no cancioneiro popular brasileiro, o sabiá é uma ave que está sempre na cabeça das pessoas de norte a sul do Brasil. É bandeira para a sensibilização, conscientizando cada uma do seu papel para maior e melhor conservação do meio ambiente.

O sabiá no canto de Alcione, na música “Um Ser de Luz”, letra de Paulo César Pinheiro, João Nogueira e Mauro Duarte, emociona a todos nós, transmitindo com sentimento a importância do canto do sabiá que os autores tristemente registram sua falta: “Sabiá, Que falta faz tua alegria, Sem você, meu canto agora é só melancolia. Canta, meu sabiá, voa, meu sabiá. Adeus, meu sabiá, até um dia”.

Luiz Gonzaga, também cantou a ave, na música “Sabiá”: “A todo mundo eu dou psiu (Psiu, Psiu, Psiu), Perguntando por meu bem (Psiu, Psiu, Psiu), Tendo um coração vazio, Vivo assim a dar psiu, Sabiá, vem cá também (Psiu, Psiu, Psiu). Tu que anda pelo mundo (Sabiá), Tu que tanto já voou (Sabiá), Tu que fala aos passarinhos (Sabiá), Alivia minha dor (Sabiá)”.

Hervé Cordovil e Mário Vieira escreveram e famosos cantores interpretaram a música “Sabiá lá na Gaiola”: “Sabiá lá na gaiola, fez um buraquinho, Voou, voou, voou, voou. E a menina que gostava tanto do bichinho, chorou, chorou, chorou, chorou… Sabiá fugiu pro terreiro, foi cantar no abacateiro e a menina vive a chamar, vem cá sabiá, vem cá. Sabiá lá na gaiola. A menina diz soluçando, sabiá, estou te esperando, sabiá responde de lá, Não chores que eu vou voltar”.

“A Majestade, o Sabiá”, letra Roberta Miranda, e seu maior sucesso, teria sido psicografada. Em entrevista, Roberta Miranda disse que acredita que o conteúdo da música foi psicografado, pois ela foi feita apenas em cinco minutos. “Até que me prove ao contrário, eu digo que essa música foi psicografada, porque eu fiz ela em apenas 5 minutos, essa canção nasceu na casa da minha sobrinha”, explicou a cantora.

Em homenagem ao sabiá, cantemos todos nós, amigos de encontros semanais, esta música que se tornou um hino.

“Meus pensamentos tomam formas eu viajo vou pra onde Deus quiser. Um vídeo-tape que dentro de mim retrata, todo o meu inconsciente de maneira natural.  Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu, quero uma rede preguiçosa pra deitar, em minha volta sinfonia de pardais, cantando para a majestade, o sabiá. A majestade, o sabiá.

Tô indo agora tomar banho de cascata, quero adentrar nas matas onde Oxossi é o deus. Aqui eu vejo plantas lindas e cheirosas, todas me dando passagem, perfumando o corpo meu. Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu, quero uma rede preguiçosa pra deitar, em minha volta sinfonia de pardais, cantando para a majestade, o sabiá. A majestade, o sabiá.

Esta viagem dentro de mim foi tão linda, vou voltar à realidade pra este mundo de Deus. É que o meu eu, este tão desconhecido, jamais serei traído pois este mundo sou eu. Ah! Tô indo agora prum lugar todinho meu, quero uma rede preguiçosa pra deitar, em minha volta sinfonia de pardais, cantando para a majestade, o sabiá. A majestade, o sabiá”.

Barbosa Nunes, advogado, ex–radialista, membro da AGI, delegado de polícia aposentado, professor e maçom do Grande Oriente do Brasil – barbosanunes@terra.com.br

 

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