LOJA MAÇÔNICA SEIS DE MARÇO DE 1817 – PERNAMBUCO – Artigo Barbosa Nunes


Artigo nº 222 do Sapientíssimo irmão Barbosa Nunes com publicação em 16 de maio, no Diário da Manhã de Goiás.

Falo hoje de uma Loja Maçônica que nasceu inspirada e lutando em movimentos sociais para eliminar a sujeição do domínio português. Loja Maçônica Seis de Março de 1817, fundada em 06 de outubro de 1821, pelo médico e primeiro Venerável, Vicente Ferreira dos Guimarães Peixoto. A denominação homenageia líderes e mártires da Revolução Pernambucana de 1817.

Por estes 194 anos, movimentos os mais diversos de ordem política, social, cultural e beneficente, foram encampados com muita coragem e determinismo, para chegar ao atual Venerável Mestre, José Alves da Silva Filho, que a conduz em caminhar altivo, debatido, união total e consciência cívica. Seus integrantes, em vigilância e atuação permanente são defensores dos princípios democráticos e de liberdade.

A convite de José Alves e André Magalhães, representando os demais componentes, fui levado, junto com minha companheira Vera Lucia Brandão Barbosa à Recife, permanecendo nesta encantadora e histórica cidade, durante os dias 26, 27 e 28 de abril. Acolhidos com os braços abertos da família maçônica pernambucana e cuidado especial de José Alves, André Magalhães, Cristiano Loureiro e Gilson Lins, privilegiado com as homenagens do Grande Oriente de Pernambuco, que tem como Eminente Grão-Mestre Estadual, Daury Ximenes, Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil, Loja Maçônica “Joaquim Nabuco” e Fraternidade Feminina Nova Roma, presidida por Maria de Lourdes Paulino de Souza.

Em jantar no dia 26 de abril, comemorativo aos 30 anos de fundação do “Capítulo Recife” e 15 anos do “Bethel 05”, das Filhas de Jó, com presença dos Apejotistas de Afogados da Ingazeira, liderados pelo diretor executivo estadual e Grão-Mestre Estadual eleito, José Rodrigues, fui distinguido com título e diploma de Membro Honorário do Supremo Conselho da Ordem DeMolay para o Brasil. Documentos assinados pelo Grande Mestre Nacional e Grande Secretário Geral, respectivamente, Rodrigo Cesar Cardoso e Fábio Alexandre Gomes, em momento que contou com presenças de mais de 300 convidados.

Em visita que fizemos à sede do bem instalado Grande Oriente de Pernambuco, fomos calorosamente recebidos pelo Grão-Mestre Estadual, Daury Ximenes, sua esposa Neide Ximenes e a presidente da Fraternidade Feminina Estadual, Maria do Carmo Wanderley, que se encontravam em reunião de trabalho. Delas recebemos publicações sobre a história, manifestações da cultura regional, roteiro de gastronomia, artesanato, manifestações religiosas ligadas aos diversos credos, rota do Rio São Francisco e arte em Pernambuco. Pernambuco que inicia a sua história antes do descobrimento do Brasil, quando seu litoral era povoado pelos índios Tabajaras.

Na noite do dia 27 de abril, no templo superlotado da Loja “Seis de Março de 1817”, foi realizada sessão magna para outorga da Comenda do Mérito D Pedro I, maior homenagem que um maçom pode receber, após completar 50 anos de atividade ininterrupta, a Rolmes Medeiros de Carvalho. Encontrava-se acompanhado de familiares e de sua esposa Iraci, em um momento emocionante e de demonstração da história de um dedicado maçom, que assim se expressou em parte do fascículo intitulado “Meio século de atividade maçônica” entregue aos presentes: “Hoje a maçonaria está me agraciando com esta Comenda. Recebo-a orgulhosamente, por ter honrado todas as determinações as quais jurei. Estes acontecimentos estarão sob minha guarda material e espiritual e serão eternamente por mim conduzidos”.

No mesmo evento solene, tornei-me Benfeitor do Grande Oriente de Pernambuco, em título conferido pelo Grão-Mestre Estadual Daury Ximenes. Com emoção redobrada, após proferir palestra, recebi o “Prêmio de Amor ao Trabalho”, justificado “pelos relevantes serviços prestados em sua trajetória maçônica, policial, jornalística, literária e política, às quais contribuíram para a formação de uma sociedade brasileira mais consciente de seus direitos e deveres”. Fui ainda condecorado com a medalha “Amor ao Próximo”, comemorativa aos 100 anos da Loja.

A saudação do deputado federal maçônico André Magalhães, do Venerável Mestre José Alves, do Grão-Mestre Estadual Daury Ximenes, palavras da representante da Fraternidade Feminina Nova Roma, Patrícia Magalhães e o carinho da Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul Ana Neri, de Caruaru, entronizaram eternamente nos sentimentos de Vera Lúcia e meu, com marca inapagável, nossos profundos agradecimentos.

Pernambuco, de João Cabral de Melo Neto, Joaquim Nabuco, Manoel Bandeira, Luiz Gonzaga, Alceu Valença, Dominguinhos, político de fibra como Miguel Arraes e os recém falecidos, a esperança do Brasil, Eduardo Campos e o autor, dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta, escritor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, Ariano Suassuna, proeminente defensor da cultura do Nordeste, membro da Academia Brasileira de Letras, fazem parte de uma extensa lista de pernambucanos presentes na história do Brasil.

Todos os momentos da passagem pela Loja “Seis de Março de 1817”, que me conduziu a Recife, são relevantes em minha vida maçônica. Gratificado fiquei também por encontrar nossos artigos colecionados por Cristiano Loureiro e expostos no mural da Loja. Concluo este, agradecendo pelas caminhadas que me propiciaram conhecer alguns pontos históricos, entre eles o “muro”, contra o qual o frei Joaquim do Amor Divino Caneca foi fuzilado, vizinho do Forte das Cinco Pontas, local marcado por seu busto e uma placa. Frei Caneca, mártir pernambucano, com íntimas ligações com a maçonaria, citado como membro da Ordem está na história representando a luta pela democratização e pela liberdade durante a Revolução Pernambucana de 1817.  

Agradeço à família maçônica da Loja Seis de Março de 1817, por nos ter levado ao Instituto Brennand, que recomendo a quem for àquela capital, não perder a oportunidade e reservar um dia para percorrer esta instituição cultural fundada em 2002, pelo colecionador e empresário pernambucano Ricardo Brennand. Sediado em um complexo arquitetônico em estilo medieval, composto por três prédios: Museu Castelo São João, Pinacoteca, Galeria e a Capela Nossa Senhora das Graças, circundados por um vasto parque.

Possui uma coleção permanente de objetos histórico-artísticos de diversas procedências, abrangendo o período que vai da Baixa Idade Média ao século XXI, com forte ênfase na documentação histórica e iconográfica relacionada ao período colonial e ao Brasil Holandês, incluindo a maior coleção do mundo de pinturas de Frans Post, com 20 obras.

O instituto também abriga um dos maiores acervos de armas brancas do mundo, com mais de 3 000 peças, a maior parte proveniente da Europa e da Ásia, produzidas entre os séculos XIV e XXI. A biblioteca do instituto possui mais de 60 mil volumes, datados do século XVI em diante, destacando-se as coleções brasilianas e obras raras.

Obrigado irmãos pernambucanos. Com vocês, canto o seu hino.

“Salve ó terra, dos altos coqueiros. De beleza, soberba, estendal. Nova Roma de bravos guerreiros. Pernambuco imortal, imortal”. 

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