Discurso de saudação aos 195 anos da Maçonaria Brasileira 1


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Artigo 331 do irmão Barbosa Nunes

Proferido pelo Sapientíssimo irmão Barbosa Nunes, representando o Grande Oriente do Brasil, no Palácio Jair Assis Ribeiro em Brasília em 17 de junho de 2017.

Por uma regressão no tempo, estamos todos nesta sessão comemorativa dos 195 anos, em tempos da fundação da Loja “Commercio e Artes” que se desdobrou por sorteio entre os seus membros, em mais duas Lojas “Esperança de Nictheroy” e “União e Tranquilidade”, com a fundamental atividade no movimento pela emancipação política do Brasil. Ao encerramento daquela sessão, prometeram solenemente, que o Grande Oriente do Brasil teria, como meta específica de seus esforços, a Independência do Brasil.

A certidão de nascimento do GOB, primeira obediência nacional e primeira do território brasileiro, iria nos anos posteriores, ser partícipe dos grandes acontecimentos políticos sociais da história do Brasil. Nasceu tendo como Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva. Delegado do Grão-Mestre, Marechal Joaquim de Oliveira Alvarez. Primeiro Grande Vigilante, o articulador que não pode ser esquecido, Joaquim Gonçalves Ledo. Segundo Grande Vigilante, Capitão João Mendes Viana. Grande Orador, Cônego Januário da Cunha Barbosa. Grande Secretário, Capitão Manoel José de Oliveira. Grande Chanceler, Francisco das Chagas Ribeiro. Promotor Fiscal, Coronel Francisco Luis Pereira da Nóbrega. Grande Cobridor, João da Rocha e Grande Experto, Joaquim José de Carvalho.

Nesta honra dos 195 anos, estamos aqui neste momento, impregnados, como se fossemos e somos, pelo espírito da fundação do GOB que nos foi transmitido, pelos integrantes das Lojas “Commércio e Artes”, “Esperança de Nictheroy” e “União e Tranquilidade”. Olhemos para os nossos ombros esquerdos. Na fita branca, sou membro da Loja “Commércio e Artes”. Na fita azul, da Loja “União e Tranquilidade”. Na vermelha, membro da Loja “Esperança de Nictheroy”. Lojas que tiveram como primeiros Veneráveis Manoel dos Santos Portugal, Pedro José da Costa Barros e Albino dos Santos Pereira, aqui presentes nas pessoas dos Veneráveis Mestres atuais, Fabiano Santoro, Cláudiio Renato da Silva Barbosa e José Maria Rodrigues Lima, que estão exercendo o veneralato, primeira e segunda vigilâncias desta sessão.

E nesta hora lembro da grande marca decisiva do episódio do Fico. Feito sob a liderança de José Joaquim da Rocha e José Clemente Pereira. Embora a meta específica dos fundadores do GOB fosse a Independência do Brasil, o processo emancipador iniciou antes de 17 de junho de 1822. O sentido era desobedecer aos decretos emanados das cortes reais portuguesas, permanecendo o Príncipe em nossas terras.

José Bonifácio, em representação ao Príncipe, de forma incisiva, assim clamou:

“É impossível que os habitantes do Brasil, que forem honrados e se prezarem de ser homens, possam consentir em tais absurdos e despotismos. Vossa Alteza Real deve ficar no Brasil quaisquer que sejam os projetos das cortes constituintes, não só para o bem geral, mas até para a independência e prosperidade futura do mesmo. Se vossa Alteza Real estiver, o que não é crível, deslumbrado pelo decreto de 29 de setembro, que obrigava o seu retorno, além de perder para o mundo a dignidade de homem e de príncipe, tornando-se escravo de um pequeno grupo de desorganizadores, terá que responder perante o céu, pelo rio de sangue que, de certo vai percorrer pelo Brasil com a sua ausência”.

O frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, orador da Loja “Commércio e Artes” também se manifestou em nome dos líderes do movimento do povo maçônico fluminense: “Na crise atual, o regresso de sua Alteza Real deve ser considerado como uma providência inteiramente funesta aos interesses nacionais”.

A 9 de janeiro de 1822, o maçom José Clemente Pereira, presidente do senado, em inflamado discurso pediu formalmente para que o Príncipe Regente permanecesse no Brasil, usando este parágrafo que destaco e que pode ser adaptado ao momento nacional que atualmente vivemos:

“Ah senhor! E será possível que estas verdades, sendo tão públicas estejam fora do conhecimento de Vossa Alteza Real? E se existem são espíritos fortes e poderosos, como se crê que tenham mudado de opinião?”

D Pedro conheceu a força e a influência maçônica, e entendeu o recado dizendo: “Diga ao povo que fico!”

O primeiro passo dos maçons, no sentido da independência, foi o “Fico”, de 9 de janeiro”.

Transcrevo nota de Castellani sobre o GOB.

“Merece consideração especial de nós o Grande Oriente do Brasil. Onde tudo começou na Maçonaria Brasileira e por tudo que representou e representa para o país, pelos seus reconhecimentos internacionais, pelo carisma de obediência maçônica com grande lastro histórico e pelo patrimônio de quase dois séculos de trabalho pelo Brasil. Pelo mesmo motivo deve ser mais respeitado pelos seus próprios obreiros, desde que estes se conscientizem da magnitude representada por esta obediência nacional e que percebam o legado que estão recebendo e que devem aperfeiçoar para os pósteros. O Grande Oriente do Brasil merece amor e dedicação.”

A partir de José Bonifácio de Andrada e Silva, foram Soberanos Grão-Mestres os irmãos D Pedro I, Antônio Francisco de Albuquerque, Miguel Calmon du Pin e Almeida, Bento da Silva Lisboa, José Marcelino de Brito, José Maria da Silva Paranhos, Francisco José Cardoso Júnior, Luis Antônio Vieira da Silva, João Batista Gonçalves Campos, Manoel Deodoro da Fonseca, Antônio Joaquim de Macedo Soares, Quintino Bocaiuva, Lauro Nina Sodré e Silva, Francisco Glicério de Cerqueira Leite, Veríssimo José da Costa, Nilo Procópio Peçanha, Thomaz Cavalcanti de Albuquerque, Mario Marinho de Carvalho Behring, Bernardino de Almeida Senna Campos, Vicente Saraiva de Carvalho Neiva, João Severiano da Fonseca Hermes, Otávio Kelly, José Maria Moreira Guimarães, Joaquim Rodrigues Neves, Benjamin de Almeida Sodré, Cyro Werneck de Sousa e Silva, Álvaro Palmeira, Moacyr Arbex Dinamarco, Osmane Vieira de Resende, Osiris Teixeira, Matathias Bussinger, Jair Assis Ribeiro, Enoc Almeida Vieira, Moacyr Salles, Francisco Murilo Pinto, Manoel Rodrigues de Castro, Manir Haddad, Laelso Rodrigues e Marcos José da Silva.

Agora, Soberano Grão-Mestre Geral Marcos José da Silva, chegamos, após Independência, Libertação dos Escravos, Proclamação da República, que pontuam a caminhada social de nossa instituição, chegamos comprometidos e apoiando a Polícia Federal, Procuradoria Geral de Justiça e o Poder Judiciário, como oficializado em Congregação e Cartas de Brasília assinadas também pelos Eminentes Grão-Mestres Estaduais. Chegamos, chegamos e construímos com nossas decisivas assinaturas o projeto Ficha Limpa. Chegamos defendendo nossas famílias com o programa Maçonaria a Favor da Vida – Contra as Drogas. Chegamos Soberano Grão-Mestre, com o senhor abraçando e clamando pela reforma política. Chegamos agora, há poucos dias, com a recertificação da ISO 9001 versão 2015, convalidando as normas que estão sendo aplicadas. Auditoria feita pela QMS, empresa autorizada internacionalmente.

E chegamos com 3350 óperas e regências de orquestras sinfônicas em 183 países de todos os continentes pelo Irmão Tullio Colacioppo, que nos levou a mágica de um concerto sinfônico, na noite de ontem em Brasília, 16 de junho. Encarnou mais uma vez nosso irmão Carlos Gomes, principal compositor de opera brasileira, iniciado na Loja  América de São Paulo em 24 de junho de 1859

Este pronunciamento que a mim foi deferido por vossa Soberania, me honra e passa integrar a minha caminhada maçônica. “Ser maçom ou não ser maçom?”. Vem me a mente  a inspiração para louvar a grandeza de um homem público, da justiça, operador do direito, na alta ponta da pirâmide do Supremo Tribunal Federal, que aqui veio em palestra a convite do Sapientíssimo Presidente da Assembleia Federal, Irmão Múcio Bonifácio. De uma forma extraordinariamente sincera e espontânea disse: “Sou maçom e não sabia”. Este homem, este jurista, Ministro Luiz Fux no último julgamento do Superior Tribunal Eleitoral. Parte do seu voto assim foi apresentada de viva voz ao povo brasileiro:

“Eu não teria a paz necessária se eu pudesse não enfrentar esses fatos. E aqui lavro minha divergência respeitosa em relação a todos os colegas. Ao juiz não é dado no momento da decisão desconhecer o estado de fato da lide.

Fatos novos vieram à lume, informando que nessa campanha houve cooptação do poder político pelo poder econômico, que nessa campanha houve financiamento ilícito de campanha, então no momento que vamos proferir a decisão, nós não vamos levar em conta esses fatos?

Que sonho hoje gravita em torno do sentimento constitucional? No meu modo de ver é o sonho de uma nação que quer respeitar os homens públicos, quer ser respeitada aos olhos do mundo e quer ver um país sem medo e com altivez que possa mostrar a sua cara para a edificação desse sonho, a soberania popular elege os seus representantes para que através de uma postura moral e ética revelem ao mundo quem somos como nação”.

            Nós Ilustres irmãos da tríade do Executivo, Legislativo e Judiciário, somos maçons e sabemos que somos. E nós Eminentes Grão-Mestres Estaduais que conduzem o GOB em seus estados, também  sabemos.

             E nós Veneráveis Mestres das lojas de todo o Brasil, operários trabalhadores no primeiro malhete das células mais importantes do GOB, somos maçons. E nós, companheiros e esposos de voces ilustres Cunhadas que constituem a força viva do GOB, somos Maçons.

            Sabemos que somos maçons amantes da verdade que liberta e restaura. Estamos em hora de buscar a verdade. Se estamos maçons, absolutamente sinceros, esta busca nós impõem lideranças maçônicas, enorme responsabilidade neste momento de transição de vida do pais, para que possamos emergir dos escombros deste gigantesco escândalo.

            Emergir para novo tempo, percorrendo um caminho diferenciado que nós leve futuro de dignidade. Esta é uma sessão, tal qual a da fundação do GOB pela independência do Brasil. Esta é uma sessão de chamamento ao dever cívico e maçônico, como fizeram as lojas Commercio e Artes, União e Tranquilidade e Esperança Nichtheroy.

            E a ti Grande Arquiteto do Universo, circunflexo peço-te que nos vigiai para que sejamos merecedores dessa História de 195 anos, projetando-a para os nossos pósteros, com o determinismo de evitar que vaidades não contaminem nosso espirito maçônico e possamos continuar sonhando mais para uma caminhada harmonizadora, inovando com inteligência dos nossos sobrinhos e seguindo a linha de crescimento da História do GOB no firmamento social de nossa pátria.

            Para o Grande Oriente do Brasil, neste 195 anos e nos próximos, nosso amor e dedicação.

 


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