

A maçonaria sempre foi uma instituição de vanguarda. Em diferentes momentos da história, esteve presente nos grandes debates da humanidade, ajudando a construir conceitos de liberdade, justiça, igualdade, educação e desenvolvimento social. Porém, com o passar do tempo, parte da maçonaria acabou se afastando da sociedade e se fechando dentro de seus próprios templos.
Enquanto o mundo mudou, muitas lojas permaneceram discutindo apenas entre si, utilizando métodos, linguagens e até interpretações que já não alcançam as novas gerações. O resultado disso é visível: envelhecimento das lojas, dificuldade de atrair jovens, perda de protagonismo social e uma crescente desconexão com a realidade da sociedade moderna.
Precisamos reconhecer isso sem medo. Não se trata de abandonar princípios, mas de entender que a forma de aplicá-los e transmiti-los precisa evoluir. Nossos valores continuam atuais e necessários, porém a maneira de dialogar com o mundo já não pode ser a mesma de um ou dois séculos atrás.
A maçonaria não pode continuar tratando toda mudança social como ameaça e nem acreditar que preservar tradição significa permanecer imóvel. Também não deve caminhar para extremos ou transformar-se em uma instituição ideológica. O equilíbrio sempre foi uma das maiores virtudes maçônicas.
O jovem de hoje pensa diferente, vive uma realidade diferente e enfrenta conflitos diferentes. Se não formos capazes de compreender essa nova sociedade, jamais conseguiremos apresentar nossos princípios de maneira útil e aplicável ao tempo atual. Antes de querer ensinar, precisamos voltar a ouvir, entender e participar da sociedade da qual fazemos parte.
Talvez um dos maiores erros das últimas décadas tenha sido acreditar que bastava preservar rituais e tradições para garantir a sobrevivência da Ordem. A maçonaria nasceu progressista, participativa e inserida na sociedade. Nunca foi uma instituição criada para viver isolada do mundo.
Precisamos voltar a liderar debates importantes, ampliar ações sociais, incentivar formação intelectual moderna, preparar lideranças mais conectadas com a realidade e transformar nossas lojas em ambientes vivos de construção de soluções e não apenas espaços de repetição de discursos antigos.
Também é necessário reconhecer que muitos materiais utilizados atualmente foram escritos para sociedades completamente diferentes da nossa. Continuam sendo valiosos como base filosófica e moral, mas precisam ser reinterpretados à luz dos desafios modernos para que continuem produzindo transformação verdadeira. Em muitos casos, será necessário reescrever parte dos nossos materiais de consulta, trazendo novos conhecimentos, novas abordagens e reflexões mais conectadas com a realidade atual, sem perder a essência dos nossos princípios.
Isso somente será possível quando a maçonaria voltar a ouvir mais a sociedade como um todo, compreendendo melhor os jovens, as mulheres, as minorias e as diferentes formas de pensamento presentes no mundo moderno. Não para abandonar sua identidade, mas para compreender melhor a realidade humana e exercer com mais equilíbrio, inteligência e responsabilidade seu papel de liderança moral e social.
Se quisermos continuar sendo uma instituição relevante para a humanidade, precisaremos sair da zona de conforto e também dos templos, voltar a interagir verdadeiramente com a sociedade, ouvir, debater e compreender os desafios do nosso tempo com a sincera intenção de ajudar na construção de um mundo melhor. Precisaremos estar preparados para evoluir e até mudar quando necessário, sem perder nossa essência, transformando nossos ensinamentos em ações concretas capazes de produzir impacto real na vida das pessoas e na sociedade moderna. Essa tem sido uma busca permanente dentro da atual gestão dos irmãos Ademir Cândido da Silva e Adalberto Aluízio Eyng no Grande Oriente do Brasil.
“A maçonaria não perderá sua essência ao compreender o mundo moderno; perderá sua relevância se deixar de compreendê-lo.”
Fraternalmente,
Arlindo Batista Chapeta
Secretário Geral de Comunicação do Grande Oriente do Brasil
Pró-Primeiro Grande Principal do SGCMSARB-GOB