
Os ensinamentos do Sagrado Arco Real encontram uma de suas bases na peregrinação de um povo que conheceu a derrota, o exílio e as provações, mas que, após 70 anos de cativeiro na Babilônia, recebeu a oportunidade de retornar à sua terra e reconstruir aquilo que havia sido destruído.
Entretanto, existe nessa narrativa um ensinamento ainda mais profundo: muitos daqueles que retornaram não eram os mesmos que haviam partido. Eram seus filhos e netos. Uma nova geração regressava carregando consigo a memória, a identidade, a fé e as tradições que seus antepassados conseguiram preservar mesmo longe de sua terra.
É justamente aí que encontramos uma das grandes lições do Sagrado Arco Real: uma tradição verdadeira não depende apenas daqueles que a receberam, mas principalmente da capacidade que possuem de transmiti-la.
Mesmo submetidos às adversidades do cativeiro, aqueles homens mantiveram viva em seus descendentes a consciência de quem eram, de onde vieram e para onde deveriam um dia retornar.
Para o Mestre Maçom, essa passagem possui enorme significado. Também somos depositários temporários de uma tradição que não começou conosco e que não deve terminar conosco. Recebemos símbolos, princípios, valores e ensinamentos que precisam ser compreendidos, vivenciados e transmitidos às próximas gerações.
O Sagrado Arco Real nos ensina, portanto, que reconstruir é importante, mas preservar aquilo que merece ser reconstruído é fundamental.
Porque homens passam, gerações se sucedem, templos podem ser destruídos e novamente erguidos, mas quando a tradição permanece viva no coração dos homens, sempre haverá um caminho de volta.
Arlindo Batista Chapeta
Pró-Primeiro Grande Principal
Supremo Grande Capítulo dos Maçons do Sagrado Arco Real do Brasil – GOB
