200 ANOS DA LOJA MAÇONICA COMÉRCIO E ARTES – BERÇO DA INDEPENDÊNCIA DO BRASIL – Artigo n° 248 de Autoria do Grão-Mestre Geral Adjunto Barbosa Nunes


Um momento significativo e guardado para sempre por mim, aconteceu no dia 26 de setembro de 2011, quando levado ao Rio de Janeiro por 65 irmãos maçons goianos, recebi o título de membro honorário da Loja Maçônica Comércio e Artes 001, fundada em 15 de novembro de 1815, completando agora 200 anos gravados na história brasileira.

Sou muito agradecido ao maçom membro do quadro, Robinson Botelho, apresentador do meu nome à apreciação dos demais integrantes, resultando em aprovação unânime para ser membro honorário da Loja. Recebi de Robinson Botelho no templo do histórico Palácio do Lavradio e guardo com cuidado especial o diploma assinado pelo Venerável Mestre Abramo Antônio Scarlato e pelos demais integrantes da diretoria À época, José Augusto Barquinha, José Aparecido Budóia, Ivaldo Lobato, Fabiano Santoro, Mário Avelino e Luiz França.

Sou também grato a Deus que me deu a oportunidade de servir na maçonaria, pelo bem, harmonia e solidariedade humana, sempre me vigiando dia a dia para que em meus atos manifeste a vontade do Mestre Jesus: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.

A Loja Comércio e Artes nasceu e foi o berço onde foram geradas definições estritamente políticas em defesa da Independência do Brasil. Esta Loja alcança dois séculos de contribuição em prol de nossa pátria. Entre figuras proeminentes da época, nela se encontravam José Bonifácio de Andrada e Silva e Joaquim Gonçalves Ledo, que convenceram e obtiveram a concordância de D Pedro quanto sua iniciação maçônica, posteriormente assumindo o Grão-Mestrado Geral.

No templo nobre do Supremo Conselho do Brasil do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito – São Cristóvão, A Loja Comércio e Artes, em sessão histórica na data de 13 de novembro de 2015, sexta feira, com as mais altas representações das maçonarias simbólica e filosófica do Grande Oriente do Brasil, comemorou 200 anos de fundação. Faço aqui e diretamente ao atual Venerável Mestre Fabiano Santoro e aos membros do quadro, na impossibilidade de ter comparecido, meus cumprimentos em nome do Grão-Mestrado Geral Adjunto e do Conselho Federal, que presido, por esta marca da Loja Primaz do Brasil, fundadora do GOB, da qual muito me honro em ser membro honorário.

Mas a história dela se liga a Joaquim Gonçalves Ledo, nascido em 11 de agosto de 1781. Político e jornalista que em 15 de setembro de 1821, lançou o jornal “Reverbero Constitucional Fluminense”, combatendo os interesses dinásticos portugueses e reivindicando a constituição de um governo liberal. Foi ele um dos promotores do “Dia do Fico”. Muito modesto, ficou em segundo plano na luta pela Independência. Trabalhou por seus ideais e não por ambicionar cargos, títulos ou honrarias. A história não nega sua grande importância sendo apontado por pesquisadores, como o grande articulador desse movimento, articulação esta conduzida e feita na intimidade da Loja Comércio e Artes.

Antes da Independência do Brasil, dirigiu-se ao Príncipe com as seguintes palavras: “A natureza não formou satélites maiores que os seus planetas. A América deve pertencer à América, a Europa à Europa, porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço que as separa. O momento para estabelecer-se um perdurável sistema, é ligar todas as partes do nosso grande todo, é este”. Sem dúvida nenhuma foi o grande personagem dentro da Loja Comércio e Artes e da Independência do Brasil.

Em 1808, ainda em Portugal, com 37 anos de idade, escreveu uma carta para o seu irmão Custódio, que se encontrava no Brasil. Disse ele: “Partirei daqui brevemente e acompanhado de mais amigos, irei organizar no Brasil a primeira Loja que será o centro da propaganda liberal do Brasil. Brasileiro, não seguirei os batalhões portugueses nem derramarei meu sangue na defesa dos opressores de minha terra de nascimento, o amado Brasil”.

Com esta carta estava lançada a semente germinadora da Loja Comércio e Artes e assim, em 1815, ela era fundada, de quem Gonçalves Ledo foi Venerável, na linha de que a indicação de seus integrantes deveria atender às virtudes, fervores maçônicos e patrióticos, assim entendidos como atuantes em prol da Independência do Brasil.

Foi dentro desse contexto que em 17 de junho de 1822 a Loja Comércio e Artes, dividida em duas “União e Tranquilidade” e “Esperança de Nichteroy”, fundaram o Grande Oriente Brasílico ou Brasiliano, depois denominado Grande Oriente do Brasil. Por consecução dos objetivos da Independência, D Pedro, inicia-se na Loja “Comércio e Artes” em 2 de agosto de 1822, seguindo-se aos graus de Companheiro e Mestre e conduzido ao Grão-Mestrado Geral do GOB.

Tenho certeza de que estes 200 anos não foram em vão, preenchidos pela coragem, pelo nacionalismo, amor à pátria, sendo símbolo para que os maçons de hoje, como Gonçalves Ledo fez, tendo a Loja Comércio e Artes como berço, se posicionem, se levantem e com destemor e indignação, lutemos contra a corrupção, contra a crise moral, para que este momento dolorido e triste, possa ser libertado dos opressores que nos conduziram a esta situação e que eles sejam julgados, recebendo pena proporcional ao mal que tanto fizeram e fazem.

Parabéns Loja Comércio e Artes n° 001 pelos seus 200 anos.

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